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Diante das particularidades mais carismáticas da etnografia, existe a figura dos romeiros de S.Tiago que, movidos pela fé, partiam de longe, de muito longe, para cumprir uma magnífica jornada de agradecimento, de súplica e louvor, à Senhora que, lá no alto, atendia as suas súplicas e orações, aos seus desejos e às suas aspirações. Vinham geralmente em bandos e em rusgas organizadas, animados pelas tocatas e pelo bucólico canto das mulheres de Basto, canto de marcar o ritmo das vindimas, das pisas no lagar, das malhadas do centeio, das arrancadas, das barrelas do linho e das desfolhadas nas eiras.
Paravam em Mondim para descansarem e para matarem a sede, para fazerem a festa cantando, dançando e dormindo ao relento à porta da Capela do Senhor, à porta das tavernas, no Largo do Prazo (atual entrada do Parque Florestal) ou em qualquer cantinho acolhedor.


De madrugada partiam para o Monte com uma cantiga na boca e a Senhora no coração no cumprimento de rituais ancestrais mantidos por tradição: pôr a mão nas "pegadinhas da burrinha de Nossa Senhora", insculturas rupestres gravadas nas rochas daquele monte; lavar a cara e beber na Fonte da Costa onde rezam as lendas que se erguia a capelinha de São Veríssimo. Bater com a cabeça na "Pedra Alta", menir e pedra de culto caiada de branco onde ainda hoje se acendem fogos votivos à noite; rezar e deixar um tostãozinho nas três capelinhas "dos Passos"; parar e olhar com respeito e com admiração para o alto dos Palhaços onde habitavam os "mouros", onde se deram batalhas memoráveis, onde aparecem princesas encantadas e onde se escondem tesouros fabulosos em secretas minas que vão desaguar nas margens do rio.


Apertar as botas ou os socos na "Pedra de calçar", entrar no terreiro de chapéu na mão, beijar a fita da Senhora, cumprir todas as promessas feitas durante o ano, de pé, de rastos ou de joelhos, dar voltas ao santuário deitado num caixão transportado pelos parentes com a banda a acompanhar ou com tocatas organizadas incorporadas no cortejo.
Abriam-se depois os merendeiros e bebia-se daquela luz original. No regresso traziam como emblema e recordação um ramo de medronheiro e os medronhos enfeitando as orelhas, a estampa da Senhora na lapela ou na fita do chapéu, para serem identificados, como romeiros da Senhora. Por rotas e caminhos de antiguidade regressavam ao lar, cantando, dançando e fazendo a festa pelas localidades atravessadas.